Poesias de Mariana Teixeira
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Roubo
roubaram
uma hora
do meu dia
entre uma página
e outra
do amuleto
capa dura
roubaram
minutos
e quartos de hora
do meu dia
eu
nada fiz
tenho medo
de reagir
a roubo
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Tapete
se as ruas
ainda fossem
quebra-cabeças de pedras
passaria o passo
passaria o carro
passaria ainda
entre os vãos
correntezas de água
sobre a resistência das plantas
faz tempo
que não vejo
mais rua assim:
que entre uma pedra
e outra
crescia mato
e formava um vale
para as formigas
o quebra-cabeças de pedras
virou tapete preto
liso
sem vale
as plantas
entre as pedras
até ganharam outro nome:
viraram praga
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Rebeldia
no quintal
de casa
coube um pé
além dos meus
pedi a ele
que crescesse
só pra cima
ele cresceu pros lados
amei sua desobediência
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
Percurso
desliza
pela pele
e faz o contorno
de cada curva
um arrepio
põe os pelos
em pé
e a postos
orvalho
escorre da testa
enquanto corre
rumo a lugar nenhum
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Tempestade
tempestade
assusta
e faz até pensar
que o céu
é sempre preto
mas nem a noite
ele é preto:
há o brilho
das estrelas
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Máscara
quando caem
as máscaras
sobram
sobre o chão
restos
de mim
e de você
só nos resta
esquecer
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Licor
a garrafa
de licor
em cima
do armário
acumulava pó
em volta do pescoço
os dedos
desabituados
a destorcer
tampas
desistiram
e deixaram
a sede
na mão
o copo vazio
deixado na pia
ali ficou
acumulando pó
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