Poesias de Mariana Teixeira
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Asas
fico
quando
porque
por quem
quero
estou
sempre pronta
para
partir
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Chaleira
a chaleira
pegou fogo
liguei o fogão
coloquei água
um punhado de chá
deixei ferver
ferveu demais
a chaleira
pegou fogo
senti o cheiro
de longe
vi fumaça
entrando pela porta
do quarto
a chaleira
pegou fogo
acendi incenso
fechei os olhos
segui deitada
e fui encontrar
Manoeis
a chaleira
pegou fogo
peguei fogo
e virei manchete
no jornal do bairro
ninguém falou
da chaleira
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Sopro
quando acordar
na manhã seguinte
sozinho
e procurar
por algo meu
esquecido
no banheiro
caído
atrás da porta
e nada
encontrar
lembre-se
de mim
como um sopro
não sei fazer
caminhos de volta
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Prazer
procuro
entre textos antigos
e rascunhos velhos
algo
que me represente
vasculho tudo
leio até
de trás pra frente
nada mais
faz sentido
sou mutante
você precisa
me conhecer
de novo
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Divergência
Aí você chega falando de amor.
Aí eu chego falando de amor.
Aí eu pulo sua vez e me entrego.
Aí você é todo medo.
Aí eu sou toda entrega.
Aí você é todo desculpas.
Aí eu sou toda entrega.
Aí somos só sexo.
Quando poderíamos ser só amor.
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Tentativa
finco os pés
no canto
mais plano
e estável
do chão
estremeço
e desequilibro
e entorpeço
mesmo assim
instabilidade
mora dentro
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Clima
a temperatura
cai de novo
e reclamo
de boba
altos e baixos
de clima
são sátira leve
dos picos
e abismos
da vida
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