terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Achados e perdidos

um volta
no quarteirão
procurando
o que perdi
e nada

alguém encontrou
o que é meu
e levou

uma vida
dando volta em mim
procurando
o que perdi
e nada

ainda
não me encontrei

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Confronto

bato de frente
olho no olho
confronto
sem medo

não meço
palavras
ataco
reajo

no espelho
faço minha guerra
e fico
em paz

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Decomposição

nunca guardo
poemas
na gaveta

na gaveta
guardo
a lixa de unha
os remédios
o colírio
o halls preto
o isqueiro
os incensos

na gaveta
guardo até
os cartões de visita
que nem sei
onde peguei

mas nunca
nunca guardo
poemas

na gaveta
não guardo
perecíveis

poesia
é instante

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Preço

pago conta
pago o pato
apago
me apego
desapego

pago o preço
que for
para ser
liberdade

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Destinos

na calçada
que subo
desce a mulher
seu filho
e suas sacolas
de plástico

quanto mais
eu subo
mais
ela desce

nos cruzamos
em algum trecho
dos caminhos

não sei
o dela
ela não sabe
o meu

nos olhos
da mulher
vi
pequenos suicídios
diários

o que será
que ela viu
nos meus

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Entulho

debaixo
da cama
um entulho
de sonhos

só podem
ter caído
entre sonos
e insônias

só olhei

não tirei
não varri

não mexo
no que não é meu 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Mapa

se eu
fosse mapa
seria a parte
desbotada
ou borrada
ou mastigada
por traças

seria a parte
que se olha
e não se sabe
se é morro
ou vale
ou mar
ou abismo

se eu
fosse mapa
você estaria
perdido