a porta do elevador
se fecha
e ele desce
com você
assisto
sua última
partida
vejo
na mesa
nos quadros
nas taças
na cama revirada
que você
se recusa
a me deixar
reajustaram
minha água
meu plano de saúde
minha tarifa no banco
reajustaram
tudo
o que é meu
somente eu
sigo
em desajuste
sento
sobre uma das pernas
meio de lado
meio torta
meio ou toda
atordoada
a coluna
forma um arco
arco
com a dor
de não seguir
as posturas
me prenderam
num corpo
de gente
numa gaiola
de pele
por dentro
sou pássaro
concentro
na respiração
puxo o ar
conto o tempo
prendo o ar
conto o tempo
solto o ar
ele sai
furacão
dias de sol
crianças brincam
com suas sombras
assisto
queria eu
poder brincar
com as sombras
que me seguem
até nos dias nublados
um volta
no quarteirão
procurando
o que perdi
e nada
alguém encontrou
o que é meu
e levou
uma vida
dando volta em mim
procurando
o que perdi
e nada
ainda
não me encontrei