passo
por entre
frestas
e fendas
e vãos
sou brisa
que entra
querendo
assentar
não sei
me esconder
você sempre
me encontra
encolhida
e meio torta
entre suas artérias
veia cava
e aorta
mudo
de casa
troco
de bairro
e fechaduras
de nada
adianta
você insiste
em lembrar
meus antigos
segredos
desafino
no
tom
engasgo
e
engulo
frases
que
ensaio
- no espelho
na
rua
no
trem -
digiro
o
que era
dirigido
para
você
coloco você
entre cascas
e talos
e papeis molhados
sufoco tudo
no plástico
e descarto
no lixo
lembranças suas
insistem
em retornar
contorno
você
com a ponta
dos dedos
faço
uma moldura
do seu corpo
penduro você
na imaginação
entre discos
e taças
e fotos
guardo
alguns destroços
dou nomes
a eles
tiro pó
passo pano
cuido
tão bem
que nem pareço
quem
um dia esteve
sob escombros