a quem insiste
em reencontros
saiba
que em mim
nada
reencontraria
transformo
transmuto
troco de pele
não sou mais
aquele eu
entro
em mim
desço
dois lances
escuros
de escada
viro
à direita
dou de cara
com o porão
esquecido
no fundo
do peito
porão sem leito
onde deito
na poeira
das lembranças
debaixo
da pele fina
o sangue corre
com pressa
de você
passo
por entre
frestas
e fendas
e vãos
sou brisa
que entra
querendo
assentar
não sei
me esconder
você sempre
me encontra
encolhida
e meio torta
entre suas artérias
veia cava
e aorta
mudo
de casa
troco
de bairro
e fechaduras
de nada
adianta
você insiste
em lembrar
meus antigos
segredos
desafino
no
tom
engasgo
e
engulo
frases
que
ensaio
- no espelho
na
rua
no
trem -
digiro
o
que era
dirigido
para
você