Poesias de Mariana Teixeira
terça-feira, 9 de março de 2021
Pássaros
entre obras
e estacas
e britadeiras
os pássaros
não param
será que cantam
a liberdade
de não se fixar?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Mãos
abra as mãos
repare que
entre os dedos
não há espaço simétrico
nas minhas
dedos médio e anelar esquerdos
se abrem
feito bailarina
o resto
um bando
de dançarinos medíocres
abertura que doa
serei sempre como
minha mão esquerda
terça-feira, 15 de setembro de 2020
Poça
sobrevoei-me
de cima, vi meu corpo deitado
esparramado
parecia poça
se escuro, não daria pra dizer
se poça de água
ou de sangue
poça que fosse
era profunda
ou até mesmo
sem fim
quarta-feira, 29 de julho de 2020
Oscilação
como não estar balançado
meio desequilibrado
se nem o coração
fica no centro
do peito?
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Perguntas
meu estado
é de perguntas
das quais bem poucas
busco respostas
entre uma e outra
e mais outra
há uma que volta
e ressoa
e ecoa
e me faz dançar
com quantas notas musicais
se faz/e desfaz
uma dor?
quarta-feira, 6 de maio de 2020
O poeta
o poeta é sempre meio
meio triste
meio muito
meio pouco
meio qualquer coisa
que não se encaixe
o poeta só é inteiro
quando ama
e quando perde o amor
fora isso,
o poeta é assim
sempre, meio pela metade
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Nada
me acostumei com o silêncio
passo dias sem ouvir
minha própria voz
ora ou outra
quando a cidade também cala
consigo escutar meu coração
ele bate
ele bate
ele bate que chega a doer
me acostumei com o silêncio
cada instante é imenso
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