coloco você
entre cascas
e talos
e papeis molhados
sufoco tudo
no plástico
e descarto
no lixo
lembranças suas
insistem
em retornar
contorno
você
com a ponta
dos dedos
faço
uma moldura
do seu corpo
penduro você
na imaginação
entre discos
e taças
e fotos
guardo
alguns destroços
dou nomes
a eles
tiro pó
passo pano
cuido
tão bem
que nem pareço
quem
um dia esteve
sob escombros
tentei escrever
sobre você
tentei falar
sobre você
pensei
se ainda devo
tentar escrever
ou falar
sobre você:
esse alguém
que já
nem me lembro
mais
a porta do elevador
se fecha
e ele desce
com você
assisto
sua última
partida
vejo
na mesa
nos quadros
nas taças
na cama revirada
que você
se recusa
a me deixar
reajustaram
minha água
meu plano de saúde
minha tarifa no banco
reajustaram
tudo
o que é meu
somente eu
sigo
em desajuste
sento
sobre uma das pernas
meio de lado
meio torta
meio ou toda
atordoada
a coluna
forma um arco
arco
com a dor
de não seguir
as posturas