Poesias de Mariana Teixeira
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
Feridas
tenho o cuidado
de deixar um canto aberto
em cada uma
das minhas feridas
tremo
só de pensar
o que seria de mim
sem sangrar
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Anonimato
sinto
em códigos
me entrego
por debaixo dos panos
em tempos de ódio
amar virou
verbo clandestino
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Disparo
a palavra
é gatilho
mire bem
antes do disparo
cuidado
com quem cruza o destino
não se iluda
com sua arma:
a fala
é falha
e a bala
se me acha
bate e volta
pelo mesmo caminho
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Baile
do coração
faço um salão
onde arrasto os móveis
e danço
sem contar as horas
e sem conter os passos
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
Contemplação
mergulho
em bancos de praça
pouso as costas
em qualquer assento
que me deixe
cara a cara
com o céu
terça-feira, 11 de setembro de 2018
Unidade de medida
por que raios
tem que ser um segundo
entre um tic
e um tac?
não poderia ser
um infinito instante
ou um carinho sopro?
dispenso relógio
e tudo o que faz
a vida ter pressa
dela mesma
se me atraso
não conto a demora
em minutos
meu tempo
tem duração
de quadras caminhadas
domingo, 26 de agosto de 2018
Sangue
o corte no corpo
não fecha
e o sangue escorre
pela garganta
na língua,
o gosto forte
de ferro
bebo
meu próprio sumo
me alimento
de mim
não me desperdiço:
renasço
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