quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tsunami

quando tudo
estava pesado demais
e a voz dentro
insistia em gritar
ela segurava
o grito

em seu silêncio
desabafava com os pés
criando tsunamis

em poças d’água


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Versos

machuquei
a árvore
para não perder
a poesia

era só o que tinha:
eu
a árvore
e uma pedra
achada no chão

tatuei
os versos
no tronco
sem pedir

permissão

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Lava

escolheu
o braço
a dobra do braço
como ponto de pouso
e ali
descarregou
o que tinha
dentro de si

o veneno
aparentemente inofensivo
criou um vulcão
epidérmico
que quando apertado
coça
e solta lava vermelha


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pupila

olhos
desadaptados
à luz
do sol
fecham-se
e criam
um escuro particular

desde que inventaram
lentes negras
ver a verdade
em suas cores fortes
deixou de ser

rotina

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fôlego

o mergulho
e a subida
pedem por fôlego

opostos
que usam
da mesma graça
para evitar

a desgraça

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Vãos

lábios trincados
deixavam espaços
sem serem preenchidos
pelo batom

a boca, quieta,
nada revelava

já a tentativa
de um sorriso
escancarava os vãos
vazios de cor

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Dados

dados
processados
com o corpo
na horizontal

a bateria
quase sem carga
aguenta
mais cinco minutos
de águas passadas

cinco minutos
se passam:
o corpo
apita o fim
da carga
e o escuro
traz um pouco

de paz