quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Mapa

o mapa
dobrado ao meio
e ao meio
e ao meio
e ao meio
desgastou
as estradas conhecidas

no lugar delas
agora há
espaços em branco

caminhos

para o desconhecido


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Ótica

um dia
fui viver de paisagem

tudo o que via
era miúdo e perfeito

longe dos olhos
não há rachadura
defeito
nem o que foi desfeito

já de perto,
não sei porquê,
quase tudo tem erro

até o cabelo
da moça mais linda
visto sem lupa
tem ponta dupla

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tsunami

quando tudo
estava pesado demais
e a voz dentro
insistia em gritar
ela segurava
o grito

em seu silêncio
desabafava com os pés
criando tsunamis

em poças d’água


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Versos

machuquei
a árvore
para não perder
a poesia

era só o que tinha:
eu
a árvore
e uma pedra
achada no chão

tatuei
os versos
no tronco
sem pedir

permissão

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Lava

escolheu
o braço
a dobra do braço
como ponto de pouso
e ali
descarregou
o que tinha
dentro de si

o veneno
aparentemente inofensivo
criou um vulcão
epidérmico
que quando apertado
coça
e solta lava vermelha


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Pupila

olhos
desadaptados
à luz
do sol
fecham-se
e criam
um escuro particular

desde que inventaram
lentes negras
ver a verdade
em suas cores fortes
deixou de ser

rotina

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Fôlego

o mergulho
e a subida
pedem por fôlego

opostos
que usam
da mesma graça
para evitar

a desgraça